Em algum momento da vida, não sei captar o qual, é como se as atitudes começassem a se justificar por inércia, como se eu pudesse justificar raciocínios curtos com a falta de tempo.
Não sou dada a dramas, mas parece que em algum momento, perdi - não sei o que, mas perdi, como quando você transpõe o portão, encara a rua e sente um frio que começa nas vias aéreas e chega intensamente ao ventre, uma agonia, como se estivesse nu na porta de casa.
Não, não são as pessoas, nem o tempo, mas parece que perdi a fé, alguma partícula de crença muito íntima, que me dava suposto sentido.
Não são frustrações, não há tempo hábil para projetar vazios, não me dei a esse luxo, é muito mais instintivo viver, naturalmente, sem demais dramas ou extensões.
Mas, perdi, em algum momento perdi, perdi o foco, perdi a fluidez, a coordenação, as idéias, simplesmente, perdi, como se eu pudesse perder a poesia, a cadência, o ritmo, como se esquecesse algum tipo de fórmula, antes inerente à mim, perdi o bom-senso, perdi as construções filosóficas, a linearidade, o conforto.
Ninguém vive de nostalgias, essa cruel obviedade, mas é como se a percepção sensível do mundo solidificasse, e todo pensamento permanecesse inconcluso, quase como sem amor; e concatenar idéias é um ato elétrico, organizado.
A dificuldade em transpor toda ação posta ao redor, não compreendo, é como sair do desequilibrio que proporciona a existência e deixar escapar todo fluido de que nutri, é como não encontrar a órbita.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Da solidão social, em qualquer lugar
Não sei se longe de alienações,
mas pensante.
Como toda criação,
talvez as obviedades não sejam tão inferíveis.
A vida está sempre cheia
de pontos finais
e casualidades,
a espera poderia ser gelada,
mas não, não o faço.
Entre cafés
Entre cigarros
Entre nós
Enquanto nossas pernas
se permutam banalmente,
curiosidades.
***
Sobre a copa
É pelo ecstasy,
estou viva,
entre luzes verdes.
Quem questionaria acerca de maior liberdade?
A noite revolve minhas ideias
é outono, Av. Paulista.
***
Os maiores intelectuais são os de agora,
os que conheço, despretenciosos,
aleatoriamente.
Avesso. Os que bebo, para reinventar as ilusões.
Não, não os que trago pela intervenção óptica da história.
mas pensante.
Como toda criação,
talvez as obviedades não sejam tão inferíveis.
A vida está sempre cheia
de pontos finais
e casualidades,
a espera poderia ser gelada,
mas não, não o faço.
Entre cafés
Entre cigarros
Entre nós
Enquanto nossas pernas
se permutam banalmente,
curiosidades.
***
Sobre a copa
É pelo ecstasy,
estou viva,
entre luzes verdes.
Quem questionaria acerca de maior liberdade?
A noite revolve minhas ideias
é outono, Av. Paulista.
***
Os maiores intelectuais são os de agora,
os que conheço, despretenciosos,
aleatoriamente.
Avesso. Os que bebo, para reinventar as ilusões.
Não, não os que trago pela intervenção óptica da história.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
F. Gullar
DEFINIÇÃO DA MOÇA
Como definí-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?
Como definí-la
quando está desnuda
se e ela é viagem
como toda nuvem?
Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do que quando nua?
Como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?
Como definí-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?
Como definí-la
quando está desnuda
se e ela é viagem
como toda nuvem?
Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do que quando nua?
Como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Sobre paredes (2008)
Feliz 2009
A gente cresce
e com o passar dos anos
a esperança por famigerada felicidade...
Bem, os anos simplesmente passam e não passam de contagem.
----
Talvez 3,6 litros de tinta branca
sejam suficientes para liquidarmos todas essas frustrações.
----
Sê!
Expressa toda sede,
desenha cada letra, com lealdade
tic tac tic tac tic tac
as horas declinam
Foi instante e com o instante
cai o romantismo.
As palavras já pálidas, com tanta
espera,
mergulhadas no pó.
Desfazem-se, desconfiguram-se...
eis idéia morta.
A gente cresce
e com o passar dos anos
a esperança por famigerada felicidade...
Bem, os anos simplesmente passam e não passam de contagem.
----
Talvez 3,6 litros de tinta branca
sejam suficientes para liquidarmos todas essas frustrações.
----
Sê!
Expressa toda sede,
desenha cada letra, com lealdade
tic tac tic tac tic tac
as horas declinam
Foi instante e com o instante
cai o romantismo.
As palavras já pálidas, com tanta
espera,
mergulhadas no pó.
Desfazem-se, desconfiguram-se...
eis idéia morta.
Onde estive, dois anos atrás
Artur
Ele desenha meu sorriso,
todos os dias.
**
Porque quando estou com Artur,
não há nada além de seus grandes olhos.
Não sei bem o que dizer,
nenhuma conclusão se faz suficiente.
***
Artur veio, revirou minhas idéias,
atraiu minhas preocupações mais fúteis;
amargou.
------
Desvio
Seu sorriso se funde ao meu;
Estremeço.
------
Sobre o fim
Deixa-me existir
Deixa-me respirar
Na liberdade
me convém o erro
Meu silêncio é denúncia
de morno desespero
E na angústia
todo amor morre
todo sorriso cala
todo prazer esvai-se.
Toda solidão acaricia
Todo ego regenera-se.
Ele desenha meu sorriso,
todos os dias.
**
Porque quando estou com Artur,
não há nada além de seus grandes olhos.
Não sei bem o que dizer,
nenhuma conclusão se faz suficiente.
***
Artur veio, revirou minhas idéias,
atraiu minhas preocupações mais fúteis;
amargou.
------
Desvio
Seu sorriso se funde ao meu;
Estremeço.
------
Sobre o fim
Deixa-me existir
Deixa-me respirar
Na liberdade
me convém o erro
Meu silêncio é denúncia
de morno desespero
E na angústia
todo amor morre
todo sorriso cala
todo prazer esvai-se.
Toda solidão acaricia
Todo ego regenera-se.
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