sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sobre vazios

Em algum momento da vida, não sei captar o qual, é como se as atitudes começassem a se justificar por inércia, como se eu pudesse justificar raciocínios curtos com a falta de tempo.
Não sou dada a dramas, mas parece que em algum momento, perdi - não sei o que, mas perdi, como quando você transpõe o portão, encara a rua e sente um frio que começa nas vias aéreas e chega intensamente ao ventre, uma agonia, como se estivesse nu na porta de casa.
Não, não são as pessoas, nem o tempo, mas parece que perdi a fé, alguma partícula de crença muito íntima, que me dava suposto sentido.
Não são frustrações, não há tempo hábil para projetar vazios, não me dei a esse luxo, é muito mais instintivo viver, naturalmente, sem demais dramas ou extensões.
Mas, perdi, em algum momento perdi, perdi o foco, perdi a fluidez, a coordenação, as idéias, simplesmente, perdi, como se eu pudesse perder a poesia, a cadência, o ritmo, como se esquecesse algum tipo de fórmula, antes inerente à mim, perdi o bom-senso, perdi as construções filosóficas, a linearidade, o conforto.
Ninguém vive de nostalgias, essa cruel obviedade, mas é como se a percepção sensível do mundo solidificasse, e todo pensamento permanecesse inconcluso, quase como sem amor; e concatenar idéias é um ato elétrico, organizado.
A dificuldade em transpor toda ação posta ao redor, não compreendo, é como sair do desequilibrio que proporciona a existência e deixar escapar todo fluido de que nutri, é como não encontrar a órbita.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Da solidão social, em qualquer lugar

Não sei se longe de alienações,
mas pensante.
Como toda criação,
talvez as obviedades não sejam tão inferíveis.
A vida está sempre cheia
de pontos finais
e casualidades,
a espera poderia ser gelada,
mas não, não o faço.


Entre cafés
Entre cigarros
Entre nós
Enquanto nossas pernas
se permutam banalmente,
curiosidades.

***
Sobre a copa


É pelo ecstasy,
estou viva,
entre luzes verdes.
Quem questionaria acerca de maior liberdade?
A noite revolve minhas ideias
é outono, Av. Paulista.


***

Os maiores intelectuais são os de agora,
os que conheço, despretenciosos,
aleatoriamente.
Avesso. Os que bebo, para reinventar as ilusões.
Não, não os que trago pela intervenção óptica da história.
Vista-se, menina!
É preciso sair para observar o mundo...
Da janela do seu quarto está tudo tão distante,
as buzinas indicam impaciência
as sirenes pedem passagem.
E lá embaixo todos têm tanta pressa...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

F. Gullar

DEFINIÇÃO DA MOÇA

Como definí-la
quando está vestida
se ela me desbunda
como se despida?

Como definí-la
quando está desnuda
se e ela é viagem
como toda nuvem?

Como desnudá-la
quando está vestida
se está mais despida
do que quando nua?

Como possuí-la
quando está desnuda
se ela é toda chuva?
se ela é toda vulva?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sobre paredes (2008)

Feliz 2009

A gente cresce
e com o passar dos anos
a esperança por famigerada felicidade...
Bem, os anos simplesmente passam e não passam de contagem.


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Talvez 3,6 litros de tinta branca
sejam suficientes para liquidarmos todas essas frustrações.

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Sê!
Expressa toda sede,
desenha cada letra, com lealdade
tic tac tic tac tic tac
as horas declinam
Foi instante e com o instante
cai o romantismo.
As palavras já pálidas, com tanta
espera,
mergulhadas no pó.
Desfazem-se, desconfiguram-se...
eis idéia morta.

Onde estive, dois anos atrás

Artur

Ele desenha meu sorriso,
todos os dias.

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Porque quando estou com Artur,
não há nada além de seus grandes olhos.
Não sei bem o que dizer,
nenhuma conclusão se faz suficiente.

***

Artur veio, revirou minhas idéias,
atraiu minhas preocupações mais fúteis;
amargou.


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Desvio

Seu sorriso se funde ao meu;
Estremeço.

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Sobre o fim

Deixa-me existir
Deixa-me respirar
Na liberdade
me convém o erro
Meu silêncio é denúncia
de morno desespero
E na angústia
todo amor morre
todo sorriso cala
todo prazer esvai-se.
Toda solidão acaricia
Todo ego regenera-se.