sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sobre democraria

Um breve esclarecimento, porque, algumas vezes, é preciso descrever obviedades.

A lei. A lei é feita por homens - de homens para homens - para contemplar aos direitos de alguns homens. Alguns, afinal, nem todos os homens são tão homens. É preciso proteger e legitimar o direito que alguns homens têm sobre os demais homens.
Em meu discurso - acredite - não há excesso, nem repetição, é só nome, quase visualizo uma equação:
Homens + Leis = homens - Direitos;
H + L + D = h
Não, não funciona, não temos aí nenhum resquício de igualdade. Alguns homens são mais homens, e, no estado de direito - democrático, meritocrático, burocrático - a meritocracia define os homens de direito como donos da democracia e detentores das leis e seus processos burocráticos; tudo isso legitimado por cor, classe, sobrenome, patrimônio acumulado, ciclo social.
A lei serve para que os Homens de direito controlem os homens sem direitos, assim, os últimos servem livremente aos fins e interesses dos primeiros.
E então, e as mulheres? As mulheres não são homens, nem homens, são mulheres. E em toda mulher, portanto, há uma revolução em potencial.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Transcender

Tristeza
é nome
de homem
que nasce livre
e se deixa atar

por normas
por ordens
por pesos

camadas de pele
de egos de eus
casas-cárceres
cheios de grades
e medos

Livre é poesia
experimentação
na lucidez lúdica
do imaginário

que desenrola
que reinventa
se retorce em dias
em riso

transcende o corpo
e toca ao outro
na sensação
em que ambos
se reconhecem

segunda-feira, 12 de março de 2012

Gênero

nem mulheres
nem homens
ou mulheres
ou homens
apenas amor
desburocratize
amor
não penas
amor
apenas

Tempestades solares

você provocou
no meu
com as
você faz
você me
você não sabe
onde
então
ou seja
alguém
o Sol

NU

pele
tão mais
intenso
envólucro
quase
aparente
intransponível
movediço,
só verbo

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Avenida Paulista

O pôr do Sol
refletido
em aranha-céus
espelhados
Imperceptível
aos olhos
tão condicionados
às luzes elétricas
Sempre apressados
transitam
confrontam-se
nas calçadas
E tropeçam
nos invisíveis
corpos
Fenômenos alheios
ao plano Cartesiano

São Paulo

Caminho
pelas ruas
Ainda dia
embora
quase sempre
cinza
Cidade
abarrotada
de transeuntes,
imenso deserto.
As pessoas
não têm
cheiro algum
nem medo
nem curiosidade
muito menos
Amor.
Olhos
pesados
no asfalto
Sorriso
encharcado
e peito
exausto
que dói
com tanta indiferença.